Você pode nunca ter ouvido falar da melatonina, mas depende dela todas as noites para dormir, assim como o seu filho. Conhecida como hormônio do sono, essa substância é produzida pelo próprio organismo, mas também pode ser encontrada à venda em potinhos, na forma de comprimido, gotas, cápsulas ou balas. No Brasil, a comercialização de melatonina é proibida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) mas muitos pais e mães têm adquirido o hormônio em lojas de conveniência e supermercados dos Estados Unidos, onde não há necessidade de receita. Outros compram em lojas virtuais americanas e recebem o produto em casa.
Segundo relatos médicos, cada vez mais famílias brasileiras chegam ao consultório pediátrico pedindo informações sobre a substância, com o objetivo de fazer o filho dormir – seja porque viram na internet ou porque algum conhecido toma. Isso quando não ministram a melatonina para a criança por conta própria, achando que se trata de algo “natural”, e só depois perguntam a opinião do pediatra.
Não há dados no Brasil, mas, nos Estados Unidos, onde o produto tem sido obtido, os números são surpreendentes. Um levantamento do Nutrition Business Journal revelou que as vendas de melatonina aumentaram 500% de 2003 a 2014 (de US$ 62 milhões para US$ 378 milhões). Embora esse valor seja do consumo em geral e não especificamente infantil, o crescimento continua sendo considerável. Mesmo porque, as prateleiras estão cheias de opções de melatonina com sabores, cores e formatos voltados para as crianças. Em lojas virtuais, é possível encontrar o hormônio produzido por uma infinidade de marcas, em diferentes dosagens e por preços variados. Um vidro com 30 comprimidos pode custar de US$ 1,80 a US$ 10.
TODO CUIDADO É POUCO
“O uso deve ser feito com muita cautela e sempre sob orientação médica. Existem poucos estudos científicos sobre o efeito do consumo contínuo da melatonina em crianças”, afirma a pediatra Simone Chaves Fagondes, presidente do Departamento Científico de Medicina do Sono da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). A falta de evidências consistentes é um dos principais fatores que trazem dúvidas aos especialistas.
Uma revisão de estudos realizada pela Sociedade Canadense de Pediatria concluiu que todas as pesquisas feitas não conseguem garantir a plena segurança do uso em crianças saudáveis justamente porque não foram testados os efeitos e a eficácia da substância no longo prazo. Já experimentos com ratos revelam que a melatonina sintética pode alterar o sistema metabólico, cardiovascular e reprodutivo, conforme mostram estudos de diferentes instituições, como a Universidade da Carolina do Norte (EUA) e a Universidade de Genebra (Suíça). Simone explica que, hoje, o hormônio sintético é considerado relativamente seguro apenas para os casos em que há indicação médica, mas alguns efeitos adversos têm sido descritos (em especial se a dosagem é elevada), como desconforto abdominal, pesadelos, agressividade, perda de apetite e puberdade tardia ou precoce. Por isso, deve-se recorrer ao produto somente em situações bem específicas.
Os pais que ministram melatonina aos filhos sem o devido respaldo médico devem entender a gravidade do que estão fazendo. “Isso é uma barbaridade. A melatonina é um hormônio e ninguém toma hormônio sem consultar o médico. Será que dariam testosterona ao filho sem indicação? Não é porque a melatonina é vendida nos Estados Unidos sem receita que o uso pode ser indiscriminado. Há uma série de cautelas que o paciente precisa ter, como a dosagem e o horário em que toma”, ressalta José Cipolla Neto, médico e pesquisador da melatonina há quase 40 anos no Instituto de Ciências Biomédicas da USP.
UMA FORCINHA PARA DORMIR
O fotógrafo Guto Seixas, 42 anos, é adepto damelatonina há mais de um ano. Ele ministra a substância esporadicamente à filha Anita, 3 anos e 10 meses. “Não é algo regular. Ela só toma quando está muito agitada. Por exemplo, a gente viaja muito, geralmente à noite. Às vezes, quando chegamos no destino, de madrugada, ela está pilhada e querendo brincar. Então, decidimos buscar uma alternativa. O meu pai toma melatonina para dormir há bastante tempo e eu descobri que tinha versão para criança também. Pesquisei a menor dose disponível e pedi para uns amigos trazerem dos Estados Unidos. Percebi que ela dá um sono gradual. O homeopata da minha filha disse que o ideal é não tomar nada, mas que de vez em quando não tem problema”, conta Seixas.
Segundo o pediatra e neonatologista Nelson Douglas Ejzenbaum, membro da SBP, antes de utilizar a melatonina é preciso passar por avaliação com um especialista em sono. “Crianças saudáveis e que não apresentam dificuldade para dormir não devem usar. Muitas vezes, a questão é apenas comportamental e não requer medicamento”, comenta o médico. Ele diz ainda que, antes de recorrer à melatonina, é indicado observar a rotina para corrigir eventuais hábitos que possam estar dificultando o sono da criança.
ESTRATÉGIA TEMPORÁRIA
Na casa da nutricionista Patrícia Cruz Smith, 44 anos, a hora de colocar o filho na cama costumava ser um pequeno caos. Adan, 5, tinha dificuldade para aquietar o corpo e a mente antes de dormir. Isso se intensificou na fase em que precisou enfrentar a transição da cama compartilhada com os pais para o sono sozinho em seu próprio quarto. “Tentamos de tudo, inclusive técnicas de ioga e medicina chinesa para relaxar. Eu contava histórias e ele sempre pedia mais uma. Também expliquei a importância do sono, para ele poder crescer e ter energia para brincar. Nada funcionava. Então, comecei a pesquisar na internet e encontrei alguns artigos sobre a melatonina”, lembra Patrícia.
Porém, antes de recorrer à substância, a mãe levou a questão das noites mal dormidas à psicóloga. “Ela me disse que o meu filho estava habituado a dormir com a gente e não gostava de ficar sozinho. Então, tive a ideia de usar a melatonina temporariamente, apenas para ele entender a importância do sono e se habituar a dormir no próprio quarto”, relata. Mas o plano só foi colocado em prática com o aval do pediatra. “O médico disse que tudo bem, e que o filho dele também usava”, conta. Em uma viagem aos Estados Unidos, no último mês de novembro, Patrícia optou por comprar a melatonina em forma de comprimido mastigável. “No começo, fiquei com medo por estar induzindo o sono do meu filho, mas pareceu espontâneo: depois de usar a melatonina, ele conseguia dormir na metade da história que eu contava. Dei o comprimido por uma semana, toda noite. Notei que ele começou a ter mais sonhos e pesadelos. Então, fomos diminuindo a dose gradualmente até parar. Agora ele consegue dormir sozinho”, relata
a mãe.
QUANDO É INDISPENSÁVEL
O uso do hormônio do sono só é realmente indicado pelos médicos para aqueles casos em que o corpo da criança não produz melatonina ou produz em pouca quantidade. Nessas situações, que não são frequentes, a substância faz toda a diferença na vida das famílias. “A indicação acontece quando a criança tem autismo, cegueira total, lesão neurológica, doença grave ou algum problema cerebral importante”, esclarece Gustavo Antônio Moreira, pediatra especialista em Medicina do Sono e membro da Associação Brasileira do Sono (ABS).
Felipe, 3 anos e 9 meses, se encaixa exatamente em uma dessas situações. Filho da dona de casa Marcela Gomes, 34 anos, o menino passava a noite acordado numa boa. Quando dormia, era durante o dia e apenas por curtos períodos. “Ele sempre passava a noite como se fosse dia. Quando tinha 1 ano e 8 meses, levamos a um neuropediatra. Além de não dormir, o meu filho ainda não sabia dizer mamãe e papai. O diagnóstico do autismo veio logo e uma especialista descobriu que ele não produz melatonina”, relembra Marcela. Hoje, Felipe usa o hormônio toda noite na forma de pastilha mastigável e dorme de oito a nove horas consecutivas. “Funcionou muito bem. Foi o que nos salvou”, comemora a mãe.
UM CASO RARO
Mãe de três meninos, a fisioterapeuta Vivian Paola da Costa, 33 anos, não descansou até descobrir o motivo de seu caçula não dormir. “Desde bebê, o Allan não dormia bem. Conforme ele crescia, tentamos de tudo. Era exaustivo. Ele acordava a noite toda, nunca dormia horas seguidas. O pediatra chegou a receitar doses altas de um remédio que o apagava. Era horrível e já não estava fazendo tanto efeito. Foi então que ele fez um exame bastante específico e descobrimos uma síndrome genética rara, chamada Smith-Magenis, que causa alteração de
humor, problemas cardíacos,atraso na fala e na coordenação motora e, principalmente, o distúrbio do sono”, declara ela.
Após consulta com uma neurologista especialista em sono, Vivian compreendeu que a falta de melatonina era o que causava todo o transtorno na hora de dormir. Hoje, Allan tem 6 anos e consegue dormir à noite graças ao uso contínuo da substância que seu corpo não produz. “Ele já toma há dois anos e não notei efeitos colaterais”, conta Vivian. “Para o meu filho, a melatonina
é uma questão de qualidade de vida. Agora que dorme, ele evoluiu. Progrediu em todos os aspectos.”
Então, fica o recado dos pediatras: se a criança não tem nenhum problema específico, ela não precisa da melatonina, e sim de mudanças de hábito e rotina (além de muita paciência dos pais).
COMO FUNCIONA?
A melatonina é um hormônio produzido pela glândula pineal, que fica bem no centro do cérebro. Segundo o médico e pesquisador da Universidade de São Paulo, José Cipolla Neto, cerca de 0,1 mg da substância é liberada no organismo toda noite, quando o ambiente começa a escurecer. Ela sinaliza ao corpo que está chegando a hora de dormir. Apenas em casos específicos e pouco frequentes (como cegueira total, autismo ou lesões neurológicas, entre outros) não acontece a produção desse hormônio e, então, é preciso fazer uso da melatonina sintética de acordo com a indicação médica.
PARECE DOCE, MAS É REMÉDIO
É comum encontrar potes de melatonina no exterior que trazem a substância na forma de balas mastigáveis, com cores e sabores que atraem as crianças. Até em formato de ursinho existe. Embora isso possa facilitar o momento de ministrar o medicamento, os pais devem lembrar que, apesar da aparência, ela não é uma simples balinha. E as crianças também precisam saber disso.
O ideal é optar pela melatonina em formatos que pareçam mais medicamento do que doce – recomendação que, aliás, vale para qualquer remédio. “A criança pode achar que é
comida e ingerir o pote inteiro. Isso é um perigo. Remédio é remédio”, alerta Rosana Cardoso Alves, neuropediatra da Associação Brasileira do Sono (ABS).
É NATURAL?
Natural mesmo, para acalmar e ajudar crianças saudáveis a cair no sono, só suco de maracujá ou chá de ervas como camomila, jasmim e erva-doce. Os médicos afirmam que embora isso seja de conhecimento muito mais empírico do que científico, não há problema em oferecer àAlgumas embalagens de melatonina sintética dizem que o produto é “uma ajuda natural para o sono das crianças”. Mas, não se engane: trata-se de mero marketing para vender mais. Nesses mesmos potes, em letras miúdas, vem escrito que tal sentença não tem o aval do FDA (órgão americano similar à Anvisa). A própria Tired Teddies, uma empresa que fabrica a melatonina na
forma de ursinhos mastigáveis, alerta em seu site: “antes de ministrar a substância a qualquer criança, consulte a opinião de um pediatra”.
criança, por não haver efeitos colaterais.
POR QUE NÃO VENDE NO BRASIL?
Em nota à CRESCER, a Anvisa informou que o comércio da melatonina é proibido no país porque “nenhuma empresa solicitou o registro de um medicamento com esta substância. No entanto, a legislação garante que pacientes que tenham a indicação de uso feita por um profissional médico possam importar, seja via bagagem de mão ou pela internet. As autoridades sanitárias podem solicitar a receita na entrada do produto no país”. Em resumo: não é possível comprar em território nacional, mas tudo bem trazer o produto de fora, desde que você tenha a prescrição de um médico.
OUTRAS TÁTICAS
Outra técnica popular são os livros infantis que prometem fazer a criança adormecer. O mais famoso dos últimos tempos éO Coelhinho que Queria Dormir, do psicólogo sueco Carl-Johan Forssén Ehrlin. Traduzida para sete idiomas, a obra tem sido sucesso de vendas e é recomendada dos 2 aos 8 anos. O truque está na leitura lenta, repetições de palavras e bocejos pontuais ao longo do enredo, o que ajudaria a criança a relaxar. Se dá certo ou não, cada família é que deve dizer. A única certeza é que mal não faz, já que a leitura é sempre muito bem-vinda.Especialmente em viagens, alguns pais dão aos filhos um remédio para evitar enjoos, cujo princípio ativo é o dimenidrinato. Ele pode causar sonolência e, não raro, as famílias ministram a substância justamente para fazer a criança dormir. Mas tal prática é desaconselhada pelos médicos. Em primeiro lugar, porque o medicamento deve ser prescrito por um pediatra para fins específicos. Depois, é preciso lembrar que “o efeito do sono que ele traz é temporário. Usar o dimenidrinato com essa finalidade não é uma indicação formal e, por isso, é desaconselhado”, esclarece a neuropediatra Rosana Cardoso Alves, da Associação Brasileira do Sono.
Não vou negar, apesar de eu moderar o uso, meu filho mais velho de 6 anos usa tablet, vídeo game e televisão, até o caçula de 1 ano e 7 meses assiste desenhos no celular. Quais seriam as complicações?
A Academia Americana de Pediatria (AAP) anunciou este mês que pretende mudar suas recomendações sobre o uso de telas para crianças. Entram nessa conta o computador, o tablet, a televisão e o celular. O foco da Academia agora é orientar os pais em relação à maneira como esses aparelhos tecnológicos vêm sendo utilizados e não mais determinar uma idade mínima ou a quantidade de horas máxima.
Anteriormente, a instrução da Academia era para que crianças abaixo de 2 anos não tivessem “tempo de tela” em sua rotina. As maiores deveriam ficar no máximo duas horas por dia na frente dos aparelhos. “Em um mundo em que ‘tempo de tela’ está se tornando simplesmente ‘tempo’, nossas políticas devem evoluir ou ficar obsoletas”, lê-se na nota divulgada pela AAP para justificar as mudanças.
Um dado levantado pela Common Sense e utilizado no documento aponta que 30% das crianças norte-americanas utilizam um aparelho móvel pela primeira vez antes de completar 2 anos. Essa realidade mostra que os pequenos estão se conectando cada vez mais cedo e que essa é uma tendência que, aparentemente, não será revertida tão cedo.
Novas recomendações
O documento completo com as novas recomendações da Academia Americana de Pediatria será divulgado apenas no começo de 2016, mas a instituição já adiantou alguns tópicos centrais para garantir o uso benéfico e saudável de telas para crianças:
Seja o pai e o modelo – As regras que se aplicam às crianças em ambientes virtuais ou reais são as mesmas. Brinque com os filhos e estabeleça limites. Envolva-se com o que seu filho está fazendo. É importante também controlar o seu próprio uso de aparelhos eletrônicos, já que a interação face a face continua essencial.
Nós aprendemos uns com os outros – Bebês aprendem melhor por meio da comunicação com outra pessoa. Conversar com a criança é fundamental para seu desenvolvimento linguístico. Assistir a vídeos não faz com que o bebê desenvolva a fala.
O conteúdo é importante – A qualidade do conteúdo é mais importante do que a plataforma ou do que o tempo gasto com o aparelho. Dê mais importância à maneira com que seu filho utiliza o tempo em vez de simplesmente cronometrá-lo.
Envolver-se é essencial - Jogue um videogame com seu filho. Sua perspectiva influencia a maneira como a criança entenderá a experiência. Para pais de bebês, estar envolvido quando ocorre o uso de telas é essencial.
Crie zonas livres de tecnologia – Preserve as refeições em família. Carregue os aparelhos eletrônicos fora do quarto das crianças. Essas ações estimulam o tempo em família e hábitos mais saudáveis de alimentação e sono.
Tecnologia como aliada
Segundo Luciana Almeida, presidente da Associação Brasileira de Psicopedagogia, não há razão para proibir as crianças de usar as telas, porém, a idade mínima de 2 anos deveria ser mantida. “Antes disso, a fase em que o bebê está ainda é muito oral, então é possível que ele não consiga interagir direito com os aparelhos tecnológicos”, afirma. “A partir daí, já existem diversos programas desenvolvidos para crianças pequenas que estimulam o aprendizado e o raciocínio”, diz.
Um estudo divulgado recentemente pela Universidade de Chicago comprovou a eficiência de um aplicativo criado para desenvolver o raciocínio matemático em alunos do ensino fundamental. O desempenho de 587 crianças de diferentes classes sociais foi analisado por um ano. As crianças que usaram o aplicativo de matemática pelo menos duas vezes por semana melhoraram suas notas ao longo do período. A melhora, porém, não está diretamente ligada ao tempo de uso do aplicativo. Os alunos que usaram a ferramenta mais do que duas vezes por semana não tiveram ganho no desempenho maior do que os que utilizaram apenas duas vezes.
O bom senso é a melhor medida
Apesar de ter potencial para ajudar a criança a se desenvolver em diversos aspectos, o uso contínuo de aparelhos eletrônicos representa uma ameaça já conhecida da ciência. De acordo com Christian Müller, do Departamento de Comportamento e Desenvolvimento da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), os problemas relacionados ao excesso de exposição aos gadgets podem envolver tanto questões físicas quanto comportamentais. “As crianças podem apresentar dores musculares, articulares, má postura, dores de cabeça, alteração visual e alteração de sono” afirma. “Podem ainda ter sintomas de ansiedade, irritabilidade, agressividade, queda do desempenho escolar e isolamento”, completa.
Por conta dos problemas que os eletrônicos podem trazer, o pediatra acredita que a antiga recomendação de até 2 horas por dia continua válida, mas o importante é que seja respeitada a realidade de cada família e o bom senso dos pais. “O ideal é que o período que a criança fica exposta a telas não seja ininterrupto, mas intercalado com outras atividades de rotina, como estudo, leitura, brincadeiras e atividades ao ar livre”, defende.
A experiência da criança longe dos gadgets continua sendo essencial para o desenvolvimento. É brincando com objetos e por meio da interação direta com outras pessoas que ela desenvolverá a capacidade de imaginar e fantasiar, o que permite um maior desenvolvimento emocional. Quando se substitui o concreto pelo virtual, a etapa da simbolização, que possibilita todos esses avanços, é extinta.
A criança só quer ficar na frente do computador. E agora?
Depois que a criança se torna dependente dos aparelhos eletrônicos, é mais difícil reverter a situação. Luciana atende frequentemente crianças que enfrentam esse problema. “Quanto mais usa o recurso tecnológico, mais a criança se afasta do social”, explica a médica. “No ambiente virtual, existem programas, como os jogos, que funcionam por meio de estímulos de recompensa. Isso acaba criando um mecanismo parecido com o do vício. Se você corta abruptamente, a criança passa por períodos de abstinência e pode ficar muito ansiosa”, diz.
Para ela, a melhor maneira de redirecionar uma criança que só quer ficar na frente do computador, celular ou tablet é apresentar outras formas de brincar e se divertir e estar presente nessas novas atividades. A preferência deve ser dada a experiências às quais a criança não esteja acostumada, como um piquenique no parque ou um acampamento improvisado na sala. É importante também diminuir o tempo de tela gradativamente, para que o processo seja menos doloroso, tanto para os pais quanto para os filhos.
Aproveite luvas e gorros que não são mais usados para transformá-los em divertido bonecos. Você vai ver como é fácil. A dica é do livro Recicle! (Editora Publifolha)
Materiais 1. luvas 2. linhas de costura coloridas e agulha 3. Plumante (como “Recheio”) 4. Linha e agulha de bordar 5. botões diversos 6. tesoura
1. Deixe seu filho encher a luva, inclusive os dedos, com plumante. Outras opções são a a manta acrílica e o floquinho de espuma (que você encotra em lojas de tecidos).
2. Agora é com você. Costure a base da luva com linha normal. Feche bem, para o recheio não vazar quando a criança jogar bonequinhos pelo ar!
3. É hora de o bonequinho ganhar um sorriso. Com uma linha e agulha de bordar (que são mais grossas), faça a boca.
4. Depois, pregue os olhos. Peça para o seu filho escolher os botões que quiser (pode ser um de cada tamanho). Já está pronto!
Dicas - Para preencher a luva, evite o algodão. Ao ser lavado, ele pode deformar e também demora muito para secar. Os recheios que indicamos também são encontrados na versão antialérgica.
- Em vez de costurar, uma alternativa é deixar a criança desenhar a boca e os olhos do boneco com cola colorida.
Calor e umidade. Tudo a ver com praia, verão e com micose. Sim, esses fungos e microorganismos costumam atacar a pele e as unhas de crianças e adultos nessa época do ano. Espere por coceira, irritação, vermelhidão e até descamação. Não existe uma maneira de proteger seu filho 100% dela, mas algumas ações preventivas reduzem as chances da micose aparecer (veja abaixo).
Mas, se mesmo com todos os cuidados você notar uma irritação na pele, leve a criança ao dermatologista. Se estiver na praia, procure um pronto-socorro local ou, então, ligue para o pediatra. Quando não tratadas, viram porta de entrada para bactérias, por exemplo. O médico pode recomendar o uso de pomadas antifúgicas à base de vitamina E com óxido de zinco ou algum comprimido. Se a criança fica o dia todo na piscina, tudo bem passar a pomada apenas antes de dormir.
5 dicas para evitar a micose:
- Deixe de lado sapatos fechados ou os de plástico porque fungos adoram umidade; - Troque a fralda com regularidade; - Seque muito bem todas as dobrinhas do seu filho e entre os dedos das mãos e dos pés; - Vai usar o chuveiro ou o banheiro do clube? Ponha os chinelos, sempre; - Prefira as roupas de algodão, que são mais leves e não absorvem tanto o suor quanto outros tecidos.
Fonte: Érica Monteiro, dermatologista e colaboradora do grupo de Cosmiatria da Universidade Federal de São Paulo
Uma casa organizada precisa de uma rotina pré-estabelecida. As consultoras em organização Cristina Tancredi da Fonseca e Maria Bernadete Mininel sugerem um roteiro diário, com as tarefas básicas e indispensáveis, e outro semanal, com faxinas por ambientes da casa.Veja a sugestão das especialistas e adapte-o de acordo com as particularidades da sua casa.
ROTINA DIÁRIA
- Preparar o almoço e o jantar; - Varrer e passar pano no piso de todos os cômodos; - Arrumar as camas; - Guardar os objetos que estão fora do lugar; - Limpar pias e vasos dos banheiros; - Lavar louça, e limpar a mesa após cada refeição; - No final do dia, higienizar o fogão e o microondas.
ROTINA SEMANAL
Segunda-feira - Trocar e lavar roupas de cama, mesa e banho.- Faxina na sala: limpar janelas e vidros; aspirar o pó de sofás, das poltronas e dos tapetes; tirar o pó dos móveis e objetos e limpar persianas e portas.
Terça-feira - Lavar as peças de roupa da família- Faxina na cozinha: limpar a geladeira, os eletrodomésticos, os armários (portas e prateleiras), as janelas, os vidros, a mesa, as lixeiras e a bancadas. Lavar o piso e se possível os azulejos.
Quarta-feira - Passar as roupas de cama, mesa, banho e as peças que já estão secas. - Faxina na lavanderia (na garagem e no quintal se houver): lavar janelas, vidros e as máquinas de lavar e passar roupa (dentro e fora como o indicado no manual), passar pano no varal, lavar pisos e limpar e arrumar armários.
Quinta-feira - Se necessário passar as roupas restantes - Faxina nos lavabos e banheiros: arrumar e limpar os armários e as gavetas, lavar box, banheiras, janela, espelhos e azulejos; limpar ralos, porta e lixeiras
Sexta-feira - Cozinhar pratos extras para o fim de semana- Faxina nos quartos: limpar janelas e vidros; tirar o pó dos móveis e objetos; limpar persianas e porta; aspirar os colchões, os travesseiros, os tapete e se tiver os ursinhos de pelúcia; arrumar os armários.
Como fica o casamento depois dos filhos? Esse é um dos debates que vão rolar no evento. Confira...
Educar os filhos para que eles cresçam saudáveis e responsáveis - mesmo se você trabalha o dia inteiro. Reinventar o casamento com todos os desafios que a chegada das crianças provoca. Encontrar tempo para o casal e para si próprio. O segundo Seminário Crescer - Famílias Contemporâneas, que acontecerá nesta segunda (31 de maio), em São Paulo, vai debater com especialistas, celebridades, mães e pais o melhor caminho para encontrar o equilíbrio na educação dos filhos, no casamento e na vida pessoal. E ser ainda mais feliz.
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